Defesa do Médico, Laboratórios, Hospitais, Clínicas,
Planos de Saúde.
Ações cíveis e administrativas junto ao Cremers,
alegações de erro médico, inadimplemento contratual e outras.
Ao escrever sobre o tema cirurgia plástica estética é muito difícil para o advogado separar seus conhecimentos técnicos de seus sentimentos comezinhos, de cidadão ou cidadã comum.
Como pessoa, mais precisamente, as mulheres são mais vaidosas e sofrem mais intimamente com o passar dos anos com as transformações do corpo. E, uma cirurgia plástica sempre está nos planos. A mulher quer ficar bonita para si, para seu companheiro, enfim para todos. Não mede esforços para tanto, principalmente, se, uma amiga e colega já fez a tal da cirurgia plástica. Justo anseio. Quem não quer ficar mais bonito?
Os homens são mais covardes e preconceituosos nesse assunto de cirurgia para ficar mais atraente, acham que aos olhos dos outros possam estar a perder a masculinidade. Com o tempo esse tabu também será superado. É um tabu cultural.
Voltando as mulheres não só as mais experientes têm o sonho do reparo estético. As jovens, as misses, já bonitas querem ficar ainda mais belas. Não esquecem a uma polegada que derrotou Marta Rocha.
Uma cirurgia plástica bem sucedida tem ótimos benefícios psicológicos, a gente começa a gostar mais de si mesmo. Os problemas psicológicos de gata borralheira vão embora como o vento.
No primeiro mundo americano os homens já são mais audaciosos, até mesmo os mais famosos. Mudam de cor, talvez até de comportamento. E fazem uma, duas e até mais cirurgias na ânsia da metamorfose, na busca da aceitação, na busca da felicidade.
Feitas as divagações de cidadão ou cidadã comum entra o advogado em cena.
Na primeira consulta do dia o advogado atende uma professora de meia idade insatisfeita com o resultado de sua cirurgia embelezadora. Na primeira pergunta à cliente indaga o bacharel, e nem poderia ser outra a pergunta: O que saiu errado senhora? Responde a cliente; o meu nariz não ficou legal, ficou muito pequeno. Nova indagação do advogado: A senhora fez contrato com o doutor? Tirou fotos, fez imagem prévia no computador? Em que ponto específico o resultado que a senhora queria não foi atingido?
Em outro ponto da cidade, outro advogado, está a atender o médico, aquele médico da senhora acima. Pergunta o causídico ao cirurgião: O senhor fez contrato com a paciente? O senhor fez projeção de resultado no computador? O senhor possui consentimento informado escrito da cliente. O senhor requereu exames físicos e de ordem psicológica para a paciente? Afinal, o senhor tem como provar que o resultado contratado foi atingido?
O grande dilema é que às vezes a análise do resultado é subjetiva. O médico acha que o atingiu e a paciente não ficou contente, acha que saiu tudo errado.
Aí, a dita senhora insatisfeita vai para a imprensa, fala isso e aquilo. E o problema se agrava. Às vezes para o profissional da medicina, que vê seu trabalho publicamente sendo questionados, os anos de labuta e aperfeiçoamentos aqui e acolá em risco. Às vezes para a paciente insatisfeita, que passado o primeiro momento de raiva, se dá conta que não escolheu o meio adequado para o reclame, e, que, talvez, o resultado da cirurgia não tenha sido assim tão ruim.
No dia a dia das cirurgias plásticos embelezadores muitos bons e zelosos médicos se incomodam com a publicidade negativa de seu trabalho nos jornais, rádios e televisões, e, depois, no poder judiciário, por insatisfações desarrazoadas.
De outra banda, temos a situação daquela paciente que juntou dia a dia seus tostões para realizar a cirurgia de seus sonhos, e, que, por um desses infortúnios que a vida nos apresenta de quando em quando, cai na tentação de uma “pechincha” de um profissional puramente mercantilista, mais comerciante que médico, mais preocupado consigo mesmo, suas aquisições e viagens, que com o resultado das expectativas da sonhadora e lutadora paciente. Que, assim, tem seus sonhos prorrogados. Do sonho desfeito aos tribunais, na busca do ressarcimento e dos seus danos morais. O profissional, o mal, que lhe atendeu por sua vez passará, agora, a lidar com sua defesa na esfera cível e com certeza no seu Conselho de Ética profissional. E que a justiça seja feita.
Em fim, a vida tem sempre dois lados, assim como a moeda. O médico, principalmente, o cirurgião plástico de procedimentos eletivos, embelezadores, têm que buscar antes de tudo a perfeição, a satisfação do paciente, o resultado por ele esperado. Agora estamos falando do bom médico. No outro lado da moeda, deve ter prudência, buscar o histórico de saúde do paciente, físico e emocional. Nesse sentido, antes do ato cirúrgico deve exigir da paciente os exames compatíveis, se a mesma está apta física e emocionalmente para transformar o corpo, mesmo que seja para melhor. Verificar se os riscos não são maiores que as possíveis vantagens. Em sendo esse risco elevado, o nosso bom médico, mesmo com o consentimento informado assinado pela paciente não vai realizar a cirurgia.
A informação, a precaução, a prudência, são fatores importantes na vida da cirurgia plástica embelezadora, tanto para os profissionais da medicina, como para os consumidores pacientes.
Assim sendo, nós escreventes dessa mensagem, pessoas comuns e advogados, colocamos no papel nosso entendimento, num misto de texto, história, crônica e alerta.